O Casarão da Democracia: Museu Eleitoral nasce para guardar o futuro
No coração do Centro Histórico, o TRE-PB resgatou a memória política da Paraíba e devolveu vida a um ícone que agora pulsa em sintonia com a cidadania

“O significado deste espaço tem uma série de vertentes. Agregamos valores à cultura e à preservação da memória de tudo aquilo que fez parte do início da Justiça Eleitoral paraibana até hoje. Saber que esta foi a nossa primeira sede e que aqui o público encontrará os móveis originais da época em que o Tribunal funcionou pela primeira vez é algo muito importante”. A declaração do presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, sintetizou o espírito da inauguração do Museu Eleitoral, ocorrida no final da tarde desta segunda-feira (9), no icônico Casarão dos Azulejos, em João Pessoa.
Muito mais do que a entrega de uma obra arquitetônica, a abertura do museu foi um ato de resgate da identidade política do estado. Ao atravessar os portais do casarão, o visitante encontrou a narrativa de um povo que aprendeu a exercer a sua liberdade através do voto. O presidente ressaltou que, além da mobília, o local guarda um valor pedagógico essencial sobre a integridade do processo democrático.

A Evolução da Urna e a Segurança Digital
Um dos eixos centrais da exposição é a história das urnas, que permite visualizar a transição do precário para o tecnológico. “Aqui teremos a história das urnas: a de ferro, a de pano e a evolução para a eletrônica. Isso mostra como éramos precários e sujeitos a fraudes. Hoje, 30 anos depois, a urna eletrônica é o símbolo de segurança e rapidez, garantindo ao eleitor paraibano a certeza de que a sua representação de fato sairá daquela urna”, pontuou o desembargador Oswaldo Trigueiro.
Para o magistrado, abrir as portas do Casarão para a população e turistas é uma forma de conferir ainda mais valor à Justiça Eleitoral. O espaço foi projetado para ser um farol de cidadania, provando ser possível modernizar respeitando cada detalhe do passado, desde o brilho dos azulejos centenários até a imponência de uma estrutura agora totalmente acessível.
Vida Nova ao Centro Histórico e Parcerias
A revitalização do Casarão dos Azulejos foi peça fundamental no mosaico de renascimento do Centro Histórico de João Pesoa/PB. Em uma parceria harmônica com o Governo do Estado, por meio da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan), o TRE-PB devolveu o brilho a uma área que é a alma da capital.
Presente à solenidade, o governador João Azevêdo Lins Filho ressaltou a harmonia entre os poderes e o impacto do novo equipamento para o projeto de revitalização da área. “Isso significa uma harmonia entre o Poder Executivo e a Justiça Eleitoral no sentido de fazer com que a história seja preservada. Além disso, representa um investimento no nosso Centro Histórico, num momento em que temos um grande projeto de revitalização. Preservar a história e contar a nossa própria trajetória nos dá condições de pensar num futuro melhor para o nosso povo”, afirmou o governador.

João Azevêdo destacou ainda que a Justiça Eleitoral simboliza a liberdade de escolha. "A nossa Justiça Eleitoral nos orgulha muito. Talvez poucos estados do Brasil tenham um espaço num local tão especial, voltado para preservar a história do seu Tribunal Regional Eleitoral", concluiu.
A execução da obra ficou a cargo da empresa Santenge Engenharia e Serviços Ltda., que cuidou de detalhes minuciosos, como a aplicação de ladrilhos hidráulicos e acabamentos em madeira das esquadrias originais. A superintendente da Suplan, Simone Guimarães, destacou o sucesso da empreitada, que contou com o suporte técnico da arquiteta Gabriela Donato e do engenheiro Renan de Lucena, além do empenho da diretora-geral do TRE-PB, Alexandra Maria Soares Cordeiro, e do chefe da SEPBMI, Diogo Alves Barbosa.
Um Legado de Esforço e Gratidão
Em seu discurso, o presidente Oswaldo Trigueiro expressou gratidão aos diversos atores que tornaram o sonho realidade. Ele agradeceu nominalmente aos colaboradores terceirizados e aos servidores da Seção de Gestão do Patrimônio (SEGEP), destacando que o esforço logístico desses grupos foi vital. O magistrado também rendeu homenagem especial ao “incansável” arquiteto e artista Luciano Jordan, cujos traços foram fundamentais para a estética e o restauro do Casarão, além de agradecer aos secretários de sua gestão pelo suporte administrativo contínuo.

Comissões e Curadoria Técnica
O planejamento do memorial ganhou um pilar fundamental em agosto de 2025, com a instituição da Comissão de Notáveis, presidida pelo desembargador Marcos Cavalcanti. O grupo reuniu nomes como a desembargadora Fátima Bezerra Maranhão, os arquitetos Cristine Evelise e Humbelino Peregrino, a museóloga Marisa Pires Rodrigues, o procurador Marcílio Franca e o acadêmico Sales Gaudêncio.
Em seu depoimento, o desembargador Marcos Cavalcanti enfatizou o valor cultural da entrega: “É importante o resgate de toda a memória do Tribunal e, ao mesmo tempo, entregamos um equipamento que vem enriquecer o Centro Histórico, somando-se aos museus do Palácio da Justiça, da Redenção e da Polícia Militar”.
Somando-se a esse esforço, a Comissão de Gestão de Memória do TRE-PB desempenhou papel primordial na formação do acervo. Sob a presidência do juiz membro Roberto D’Horn Moreira Monteiro da Franca Sobrinho, os servidores Diogo Alves Barbosa, Cristiana Targino Falcão Farias, Gabriela Garcia Londres e Renato César Carneiro selecionaram cada peça que compõe a narrativa histórica exposta.
Refletindo sobre o impacto social da obra, o juiz-membro Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires definiu o museu como um poderoso instrumento de educação cívica e valorização da cidadania. Em seu discurso, o magistrado ressaltou que cuidar da história é, acima de tudo, um compromisso com o futuro, permitindo que as novas gerações compreendam a trajetória de inovação e respeito à vontade popular que a Justiça Eleitoral trilha desde 1932. “Ao preservar decisões, desafios e conquistas, o Tribunal não apenas guarda o passado, mas fortalece a identidade democrática de toda a sociedade paraibana”, declarou.
Visita Guiada
Antecedendo o rito solene, a imprensa local participou de uma visita guiada exclusiva pelas dependências do Casarão. A ação, coordenada pela assessora de Comunicação e Multimídia do TRE-PB, Michelle Sousa, permitiu que jornalistas e fotógrafos conhecessem, em primeira mão, a exposição e os detalhes artísticos do prédio, garantindo que a narrativa do museu chegasse de forma detalhada a toda a sociedade.
Um pouco da História
O Casarão dos Azulejos, no número 159 da Rua Conselheiro Henriques, abrigou a primeira sede do Tribunal Regional de Justiça Eleitoral da Parahyba em 21 de julho de 1932. Embora extinta em 1937, a Justiça Eleitoral retomou as atividades em 1945. Em 2025, o Tribunal celebrou os 80 anos de sua reinstalação, reafirmando um compromisso que agora ganha uma morada definitiva.
Dados Técnicos da Obra
A reforma do Casarão representou um investimento de R$ 2.844.444,30 em recursos próprios. A obra abrangeu uma área total de 510,00 m², distribuídos entre o pavimento térreo e o superior. O térreo contempla hall de acesso, salas de exposição, administração, recepção, loja de souvenirs, salão permanente e uma cafeteria com pátio externo. O pavimento superior abriga a plenária e a presidência antigas, exposição de becas, equipamentos de tecnologia e um miniauditório. A circulação é garantida por escada, rampa e um moderno elevador.
/rafaelkoehler/ascom/tre-pb/
Fotografias: Ascom TRE-PB e Francisco França (Secom/PB)
#PraTodosVerem: Na fotografia aparece a fachada do Museu Eleitoral da Justiça Eleitoral paraibana.
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